Lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens e idéias de hoje, as experiências do passado [...] A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão, agora, à nossa disposição, no conjunto de representações que povoam nossa consciência atual. Essa é uma citação de Eclea Bosi no livro "As Rainhas do Rádio", de Maria Luisa Rinaldi Hupfer (Senac Editoras), que, para mim, resume o trabalho de "arqueologia cultural" que deu origem à obra.
Após a leitura, não sei porque, foi impossível evitar uma associação da autora com o personagem de duas obras que li recentemente (Anjos e Demônios e O Símbolo Perdido), em que o professor Langdon participa de mil aventuras em busca de pistas e informações para decifrar e compor histórias perdidas. Fiquei imaginando a minha querida amiga fazendo tal arqueologia; tantas idas ao Rio de Janeiro; mil andanças pelos arquivos das editoras de revistas da época, de papel e em punho, copiando, copiando e copiando, sem os recursos das copiadoras e maravilhas digitais de hoje.
Verdadeira arqueologia, "cavando" com as próprias mãos (terá usado luvas?), escolhendo pontos de interesse, juntando cacos de um mosaico que, no final, resultaria em sua grande tese. Por sorte, virou livro.
Ao longo de 185 páginas, a história do rádio como indústria cultural nos é contada passo-a-passo, mesclada com o nascimento da propaganda (sabia que Noel Rosa e Braguinha foram redatores publicitários?). O pano de fundo de tudo isso foram os concursos de Rainha do Rádio, responsáveis pela popularização do meio e pela criação de tantos ídolos da música popular.
Em algum ponto do livro, você vai saber quem deu o apelido "Sapoti" à cantora Angela Maria, e conhecer, principalmente, a trajetória de Emilinha Borba, precursora da cantora-atriz-garota propaganda, que intuitivamente usou e abusou do "merchandising".
Depois da página 187, delicie-se com a leitura das entrevistas que fez com algumas das Rainhas. Leia e recomende. Ah! Em resposta à pergunta do título, respondo sim. Conheci Emilinha em Miami, tirei foto ao lado, pediu-me que lhe enviasse cópia, muito simpática. Naquela época, que pena, não imaginava que estava ao lado de uma rainha.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Chocolate e Machado de Assis
Hoje fui surpreendido com um delicioso presente. Pensei que fosse um livro, devido ao formato. Mas, que conteúdo teria, de tão leve?
Trufas, trufas recheadas com toque de laranja, maracujá, limão e marula, aquela frutinha tão apreciada por elefantes africanos.
Curiosa foi a associação de idéias do fabricante: classificou o "livro" de Edição Especial, apresentou-a como homenagem ao incrível universo da literatura e justificou a embalagem em formato de livro (Esta caixa de chocolate, assim como um bom livro, fala por si só, nos arranca suspiros e é pura diversão. Então, saboreie este best-seller e você vai entender como pode ser gostoso "devorar muitos livros".).
Não se trata de merchandising de Cacau, mas um destaque à criatividade do pessoal de marketing. Afinal, quem pensaria em associar "Machado de Assis" com trufinhas recheadas?
Muitos concordam que nem toda obra machadiana é acessível, palatável. Mas, na associação de personagens tão distintas como Helena (Helena), Carolina (A moreninha), Capitu (Dom Casmurro) e Sofia (Quincas Borba), cujas características deram sabor e nome às trufas, a busca pelo universo do escritor será uma "reação adversa" muito bem-vinda. DEVORE COM MODERAÇÃO.
Trufas, trufas recheadas com toque de laranja, maracujá, limão e marula, aquela frutinha tão apreciada por elefantes africanos.
Curiosa foi a associação de idéias do fabricante: classificou o "livro" de Edição Especial, apresentou-a como homenagem ao incrível universo da literatura e justificou a embalagem em formato de livro (Esta caixa de chocolate, assim como um bom livro, fala por si só, nos arranca suspiros e é pura diversão. Então, saboreie este best-seller e você vai entender como pode ser gostoso "devorar muitos livros".).
Não se trata de merchandising de Cacau, mas um destaque à criatividade do pessoal de marketing. Afinal, quem pensaria em associar "Machado de Assis" com trufinhas recheadas?
Muitos concordam que nem toda obra machadiana é acessível, palatável. Mas, na associação de personagens tão distintas como Helena (Helena), Carolina (A moreninha), Capitu (Dom Casmurro) e Sofia (Quincas Borba), cujas características deram sabor e nome às trufas, a busca pelo universo do escritor será uma "reação adversa" muito bem-vinda. DEVORE COM MODERAÇÃO.
sábado, 27 de março de 2010
Rainhas do Rádio ganham livro
Minha amiga Malu (Maria Luiza Rinaldi Hupfer) acaba de lançar um livro sobre a época de ouro do rádio: desde suas origens, como ferramenta educativa, ao boom comercial adquirido na era Vargas, sob o manto das Rainhas do Rádio (editora Senac). Era o que faltava nas livrarias, levando-se em conta que grande parte dessa história foi escrita apenas pelas revistas especializadas da época.
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