No último domingo, 1º de abril, estive na Mostra de Arte Chapeleira na Fábrica de Chapéus Cury, em Campinas, motivado pela chamada que vi na tv. No local, descobri que a presença de tanta gente foi estimulada também pelo rádio e jornal. Entre o público, funcionários e ex-funcionários chapeleiros, parentes, curiosos. Muitos, com o mesmo pensamento que eu, querendo conhecer a história e registrar um pouco da atmosfera dessa fábrica de 92 anos no coração da cidade.
Como dizia o folder do evento, "esta foi uma iniciativa de artistas que exploraram - em suas obras - alguma dimensão inspirada pela existência dessa fábrica e pela memória de chapeleiros que ali trabalharam ou trabalham." Eles visitaram a Chapéus Cury em diversos momentos dos últimos 30 anos e transformaram suas sensações em cinema, teatro e fotografia (Adrian Cooper, Julia Zakia, Lume Teatro e Fabio Fantazzini)".
Guiados por Sérgio Cury Zakia (88 anos), o chapeleiro mais antigo da família fundadora e ainda atuante (mais de 70 anos dedicados à arte), nós, visitantes, tivemos a oportunidade de conhecer uma parte do labirinto fabril, percebendo visualmente a história que permanece viva em cada máquina, molde ou ferramenta. Parece-me quase impossível fugir do texto de apresentação, que confirma cada sentido estimulado magicamente durante a caminhada. "Ao passar pela porta de entrada, foi como voltar no tempo, ao início do século." A cada passo, os sentidos aguçados, buscando identificar o cheiro do vapor que dá forma ao pelo e à lã, ou imaginar o ruído das antigas máquinas. Ao longe, era como escutar vozes das várias gerações de artesãos, fluindo pelas mesmas frestas que permitem a saída do vapor e a entrada dos raios de sol. Pelas vidraças, o mundo moderno de fora, com seus modernos edifícios, cada vez mais altos, disputando espaço com a velha chaminé de tijolos que identifica o local da fábrica; lá dentro, a atmosfera de um tempo que não passou.
E foi nessa atmosfera que tentei registrar algumas imagens dessa famosa fábrica de chapéus, que ganhou ainda mais notoriedade ao ser anunciada como fornecedora do inseparável chapéu de Indiana Jones. Pena que o evento de portas abertas não permitiu a demostração de algumas atividades da arte chapeleira, mas valeu como manifestação artística e contribuição cultural à cidade.
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